sábado, 19 de novembro de 2011

Artigo: “A República, o feriadão e a Globo”, por Elói Pietá
(Arte Ricardo Weg - PT)

No Jornal Nacional da TV Globo, o noticiário mais assistido do Brasil, na terça-feira (15 de novembro) não houve nenhuma referência aos 122 anos da Proclamação da República, razão do feriado que multidões de brasileiros emendaram.


Quanta gente ficou sabendo o motivo do feriado? Ouvi um taxista dizer que era o dia da Bandeira. Que aproveitamento houve da data para chamar a atenção sobre os grandes temas da democracia brasileira? Nenhum.
Se tivéssemos aqui uma espécie de BBC, um conjunto de canais públicos de TV que se destacam na Inglaterra por grande audiência e grande qualidade, certamente o nível da cultura e da democracia brasileira seria maior. Não cabe interferir na programação e no conteúdo da Globo, que apresenta programas de grande qualidade, como a matéria no mesmo Jornal Nacional sobre a história do tráfico de drogas nas favelas do Rio. Trata-se de ter uma concorrência à altura, de qualidade, encarada pelo setor público, que tem vocação diferente do setor privado. Jamais com a chatice da Voz do Brasil, não com a programação arrastada da TV Brasil, nem com a grade ora infantil ora elitista da TV Cultura (que na hora de um jogo da seleção brasileira apresenta algum debate no Café Filosófico sobre o papel do riso). Os lobbies do setor privado da notícia sempre se deliciaram com este tipo aborrecido de comunicação. E com os mirrados orçamentos estatais para os canais públicos de TV.
A BBC surgiu, como outras emissoras públicas na Europa, procurando cultivar cidadania, democracia, arte, moral, ao tempo em que veiculavam informação, seja qual fosse o objetivo ideológico- estratégico na primeira metade do século passado, marcado pela disputa capitalismo-socialismo e pela disputa entre si dos países europeus. A sua autonomia do governo sempre foi uma batalha, às vezes mais bem sucedida, outras vezes menos. 
Diferente foi o caminho brasileiro onde o setor privado se impôs soberano no mundo da televisão. As emissoras comerciais surgiram para arrecadar lucros, e, portanto tratar sua audiência como consumidores, procurando incutir neles novas necessidades materiais e os valores individualistas e consumistas.  E depois se descobriram como empresas donas de muito poder sobre a sociedade, sobre o Governo, sobre o Congresso, sobre o Judiciário.
A democratização dos meios de comunicação no Brasil significa universalizar e impulsionar a imensa criatividade da cultura brasileira, atender à pluralidade do pensamento, difundir as diferentes ideias políticas, buscar um equilíbrio objetivo no que é informado e na maneira como o é.
No caso do feriado da República, daria para ter colocado em cena o papel das Forças Armadas em nossa história, já que a República foi uma transição por cima, um golpe militar que derrubou o Império desgastado por vários motivos, entre eles, a abolição da escravidão um ano antes. Daria para ter lembrado a revolta de Canudos, uma confusão entre revolta social, religiosidade e monarquismo. Daria para lembrar as eleições de presidente da República em que as mulheres e os analfabetos eram proibidos de votar e então só uns 3% de brasileiros escolhiam o presidente. Daria para ter lembrado as fases doloridas da República: República Velha, ditadura Vargas, redemocratização, ditadura militar, transição do Colégio Eleitoral, República atual, etc.  Tem muitos filmes bons com passagens sobre isso, tem muitos registros históricos (quadros, fotos, áudio-visuais), tem bons debatedores, há muita polêmica.
Alguém dirá: mas já temos as TVs educativas. Só que elas que surgiram como espécie de telecursos nada atrativos, com sinal de diminuta potência, chamadas de educativas para mostrar ao poder privado que não eram TVs completas. Apesar dos avanços tecnológicos, um estranho fenômeno ainda é atual: a dura luta para ver com nitidez as TVs públicas, que aparecem com qualidade de muitos anos atrás, ofuscadas pela clareza, beleza e brilho das TVs privadas. Em São Paulo vejo uma beleza de imagem e som nos canais abertos da Globo, SBT, Record, etc, e sofro com a imagem e o som ruins da Cultura. Em Brasília, a mesma decepção com a TV Brasil. A pobreza de periferia reservada para as TVs públicas não ocorre por acaso. É caso pensado. É a arrogância do setor privado impondo-se à humildade temerosa do setor público.
Se tivesse uma TV pública com a mesma qualidade e audiência da Globo, na reunião de pauta do Jornal Nacional no dia seguinte ao feriadão da República, alguém ia ter um puxão de orelha. Não porque o governo tivesse interferido. Porque o público brasileiro teria gostado da TV pública, e porque os anunciantes da TV privada teriam reclamado da queda de audiência.
Estamos atrasados em décadas com este sistema manco de comunicação. Temos que fortalecer o sistema público para concorrer com o sistema privado. Vimos o quanto isso é importante no setor bancário, para contrabalançar o poder da finança privada na economia. E quando se trata do espírito, da informação que fundamenta opiniões e ações? Precisamos de um país mais republicano do que este que temos. 
Elói Pietá é secretário-geral do Partido dos Trabalhadores

Mano Menezes visita Lula e diz que conta com ele na Copa de 2014 

Por Marcos Imperia
O técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes, visitou na tarde desta sexta-feira (18) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que faz tratamento contra um câncer na Laringe. O encontro ocorreu na residência de Lula, em São Bernardo do Campo. Mano presenteou o ex-presidente com uma camisa 10 da Seleção.Referindo-se à Copa do Mundo, ele escreveu: Força, eterno “presidente Lula”. Contamos com você em 2014.Abraços do amigo Mano Menezes
Lula e Marisa mostram camisa 10 recebida de Mano Menezes.
Foto: Ricardo Stuckert/Insituto Lula.
Mano presenteou o ex-presidente com uma camisa 10 da Seleção.
Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula.

7º Congresso dos Metalúrgicos recebe nome de Luiz Inácio Lula da Silva


Delegados aprovam o nome do ex-presidente para o Congresso. Fotos: Rossana Lana / SMABC
Os metalúrgicos do ABC abriram a plenária final do 7º Congresso da categoria na noite desta quinta-feira (17) no Pavilhão Vera Cruz, em São Bernardo, batizando o evento com o nome de Luiz Inácio Lula da Silva, em homenagem ao ex-presidente, que está em tratamento contra um câncer de laringe. 

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Chávez brinca com careca de Lula e diz que ex-presidente vencerá o câncer

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse nesta quinta-feira (17) que o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, a quem chamou de "coco pelado" por raspar a barba e a cabeça antes de sofrer as consequências da quimioterapia, "está marcado pela vida e sobreviverá". "Vi Lula hoje com um novo 'look'. Está como eu, coco pelado, porque está fazendo quimioterapia. Vi sua esposa fazendo sua barba", afirmou Chávez em discurso durante a formação de policiais militares, onde pediu uma salva de palmas para o brasileiro.
"Avante, Lula. Lute contra a adversidade e viva por que te amamos, velho amigo. Precisamos de você para continuar forjando a unidade de nossos povos e a paz da América do Sul", acrescentou. Após ressaltar que o ex-presidente é um "grande companheiro" e pedir orações para ele e por "esse grande povo irmão" do Brasil, Chávez insistiu que Lula também vencerá o câncer.

No dia 3 de novembro, o líder venezuelano, que anunciou no dia 30 de junho ter superado um tumor cancerígeno, declarou que havia terminado os ciclos de quimioterapia para evitar o ressurgimento da doença em seu organismo. Chávez também pediu a seus aliados para tomarem cuidado com a "política de assassinato do império", mas descartou que o câncer de Lula possa ter sido causado por alguém.
O venezuelano frisou que "é uma especulação de alguém" que qualificou como uma "coisa muito estranha o que está acontecendo na América Latina com alguns líderes", ao citar a morte do ex-presidente argentino Néstor Kirchner, assim como o câncer da presidente Dilma Rousseff e do presidente do Paraguai, Fernando Lugo. EFE

Caso Lupi: a outra versão da história

Fonte: Ascom/OM 
A jornalista Angela Rocha, mulher de Carlos Lupi, decidiu voltar a escrever. E faz neste texto um desabafo que vale a pena ser lido. Ela lembra uma questão básica: é fundamental, para o cidadão formar a sua própria opinião, que as versões do fato sejam apresentadas. Isto é básico no jornalismo. E isto não está acontecendo. (OM)
Você tem direito de ter a sua verdade. Para isso você precisa conhecer todas as versões de uma história para escolher a sua. A deles é fácil, é só continuar lendo a Veja, O Globo, assistindo ao Jornal Nacional. A nossa vai precisar circular por essa nova e democrática ferramenta que é a internet.
Meu nome é Angela, sou esposa do Ministro do Trabalho e Emprego Carlos Lupi. Sou jornalista e especialista em políticas públicas. Somos casados há 30 anos, temos 3 filhos e um neto. Resolvi voltar ao texto depois de tantos anos porque a causa é justa e o motivo é nobre. Mostrar a milhares, dezenas ou a uma pessoa que seja como se monta um escândalo no Brasil.

Com Lei do Acesso à Informação e Comissão da Verdade, Brasil avança na consolidação da democracia

Por Blog do Planalto



Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia de sanção do Projeto de Lei que garante o acesso a informações públicas e do Projeto de Lei que cria a Comissão Nacional da Verdade. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

O governo brasileiro deu hoje (18) um significativo passo para tornar o Estado ainda mais transparente e democrático. Numa cerimônia concorrida, a presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei do Acesso à Informação, que regulamenta a consulta de documentos públicos, e a lei que institui a Comissão Nacional da Verdade, que vai apurar violações aos direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988, período que inclui a ditadura militar.
São leis, explicou a presidenta, que consolidam a democracia e tornam o Estado brasileiro mais transparente, garantindo o acesso à informação, o direito à memória e à verdade, e o pleno exercício da cidadania. Elas colocam o Brasil num patamar de subordinação do Estado aos direitos humanos. O cidadão ganha mais poder de controle e fiscalização.
“O que era lei de sigilo se torna de lei acesso à informação. E nenhum ato ou documento que atente contra os direitos humanos poderá ser colocado sob sigilo. Essa é uma conexão decisiva com a lei que cria a Comissão da Verdade. Uma não existe sem a outra”, disse a presidenta.
Na presença de familiares de desaparecidos políticos, convidados para a cerimônia no Palácio do Planalto, a presidenta Dilma afirmou que a Comissão da Verdade é uma homenagem aos que lutaram pela democracia nos anos de arbítrio. Seu dever é resgatar a verdade para que as gerações futuras conheçam o passado do Brasil e para que “os fatos que mancharam nossa história nunca mais voltem a acontecer”.
Segundo Dilma Rousseff, outros países que viveram sob ditaduras também resgataram a verdade sobre o passado por meio de comissões semelhantes. O momento histórico do Brasil chegou, mas sem revanchismo.
“O Brasil se encontra consigo mesmo. Sem revanchismo, mas sem a cumplicidade do silêncio. Um país vitorioso de um povo vitorioso que tem hoje o privilégio de viver em sólida democracia que foi construída por muitos que lutaram, por muitos que resistiram. A lei do acesso à informação e a lei que institui a Comissão da Verdade se somam ao esforço e à dedicação de gerações de brasileiros e brasileiras que lutaram e lutarão para fazer do Brasil um país melhor, mais justo e menos desigual, brasileiros que morreram, que hoje homenageamos não com processo de vingança mas através do processo de construção da verdade e da memória.”

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Fotos divulgadas nesta quinta-feira pelo Instituto Cidadania mostram o ex-presidente Lula raspando a barba e os cabelos. Ele decidiu antecipar os possíveis efeitos do tratamento que faz contra um câncer na laringe.
Segundo a divulgação, a própria ex-primeira-dama Marisa Letícia foi quem raspou a cabeça e a barba - uma das marcas registradas de Lula desde os tempos da luta sindical, nos anos 1970 - do ex-presidente.
Lula foi diagnosticado com um tumor de laringe no fim do mês de outubro. Entre os dias 31 e cinco de novembro, o ex-presidente se submeteu à primeira fase do tratamento de quimioterapia. Segundo os médicos que o acompanham, o câncer é curável, e pode ser tratado sem cirurgia.